Há mais de uma década, moradores e coletivos de São Paulo lutam pela criação do Parque Jurubatuba.
Nesse período, a mobilização foi marcada por forte participação popular em audiências, consultas e demais processos participativos,. Mesmo após anos de articulação, debates e estar previsto no planejamento da cidade, o parque ainda aguarda sanção, e o movimento segue ativo para garantir que a área se torne, de fato, um grande parque público para a cidade.
Abaixo um pequeno recorte da nossa linha do tempo
A cobrança da população fez com com que políticos levassem as reivindicações da região a subprefeitura.
"Para o deputado Marcolino, o parque, naquela região, significa a revitalização do espaço sem a necessidade de desapropriação. Ele propôs um trabalho em conjunto, envolvendo as secretarias da Habitação, do Verde e do Meio Ambiente e a própria EMAE para a viabilização do projeto. "Centenas de famílias habitam há mais de 40 anos as margens do que antes era parte da represa e algo precisa ser feito ali", defendeu Marcolino."
trecho extraído da matéria
Reunião na subprefeitura
Entre 2014 e 2016 ocorreram marcos institucionais importantes para a consolidação do Parque Jurubatuba no planejamento urbano da cidade.
Em 2014, com a aprovação do novo Plano Diretor Estratégico do município pela Prefeitura de São Paulo, áreas da região de Jurubatuba passaram a ser enquadradas como ZEPAM (Zona Especial de Proteção Ambiental), reconhecendo sua relevância ambiental, paisagística e de preservação das margens do Rio Pinheiros.
Na sequência, entre 2015 e 2016, durante a elaboração e aprovação do Plano Regional da Subprefeitura da Capela do Socorro, foi incorporada a previsão de implantação do Parque Jurubatuba como parque linear na orla do rio. Esse processo contou com etapas participativas e consolidou, nos instrumentos oficiais de planejamento, a destinação da área para uso público, ambiental e de lazer.
É criado o Plano de intervenção Urbana (PIU) Arco Jurubatuba onde um dos principais elementos é o Parque Jurubatura ( parque da orla ), usado como elemento estruturador da transformação urbana do eixo.
Esse Plano Regional:
Prevê a criação de um parque linear na orla, articulando áreas verdes existentes e futuras.
Estabelece a recuperação ambiental das margens do rio, incluindo qualificação paisagística e melhoria da drenagem.
Define fruição pública obrigatória na borda do rio, ou seja, novos empreendimentos devem garantir acesso público e conexão com a orla.
Integra o parque à mobilidade ativa, prevendo ciclovias, caminhos e conexões transversais entre bairros e o rio.
Trata o parque como infraestrutura ambiental estratégica, não apenas como área de lazer, mas como parte da reestruturação climática e urbana da região.
"A ausência de vias marginais expressas neste território é uma grande (e última) oportunidade de garantir que a cidade se relacione com seus rios e que assim se beneficiem mutuamente. Dessa forma, propõe-se para o Parque da Orla um sistema viário heterogêneo, compatível com o contexto urbano lindeiro, mas sempre fundamentado na ideia de “Vias Parque”, com priorização do transporte público, dos pedestres e dos ciclistas, guardando distância em relação aos rios para promover grandes áreas de lazer e contemplação em suas margens."
trecho extraido do documento "nota técnica plano urbanistico" do PIU Arco jurubatuba
No final de 2023, a Prefeitura de São Paulo abriu licitação para a extensão da Marginal, ao custo de 1,7 bilhões, atingindo diretamente a área prevista para o Parque Jurubatuba.
A proposta viária contrasta com as diretrizes ambientais estabelecidas pelo Plano Diretor Estratégico e regional de São Paulo e pelo PIU Arco Jurubatuba, que apontam para a requalificação ambiental e ampliação de áreas verdes no território.
Essa decisão unilateral sem nenhuma consulta ou participação da população representou um retrocesso de anos no processo de reconexão da cidade com o rio!
No inicio de 2024, como resposta ao anuncio da licitação da Avenida Marginal, um grupo de moradores de forma voluntária e organizada iniciou o movimento pela criação e defesa do Parque Jurubatuba.
Sua primeira ação foi a criação de um abaixo assinado ( assine aqui ), a entrega de uma carta ao prefeito e uma grande manifestação no local. Sobre nós
Março de 2024 após representação na justiça ( TJSP e TCM ) questionando as irregularidades da licitação e pressão da sociedade, a licitação foi paralisada
Principais pontos levantados:
Estudos ambientais insuficientes: questionamentos sobre a adequação dos estudos diante da sensibilidade da área de várzea.
Incompatibilidade com o planejamento: conflito com diretrizes do Plano Diretor Estratégico de São Paulo e do PIU Arco Jurubatuba, que priorizam parque e recuperação ambiental.
Risco de dano ambiental: possibilidade de perda de áreas permeáveis e prejuízo às funções ecológicas da margem do Rio Pinheiros.
Participação popular fragilizada: ausência de debate compatível com o histórico participativo da área.
Uso expressivo de recursos públicos: previsão de alto investimento em obra viária com prioridade questionada frente a alternativas ambientais e de mobilidade sustentável.
Desvio de finalidade urbanística: priorização de via expressa em território previsto para infraestrutura verde.
Março de 2024, em iniciativa conjunta com o Vereador Toninho Vespoli e apoio de diversos vereadores, foi protocolado o Projeto de Lei PL 158/24 que cria o Parque Jurubatuba.
Instrumento importante para a regulamentação e implantação do Parque
Junho de 2024, foi realizada uma manifestação pública na região do Parque Jurubatuba, reunindo moradores, coletivos e políticos em defesa da criação do Parque Jurubatuba.
O ato buscou dar visibilidade à proposta do parque linear, reivindicar a preservação da área como espaço público de lazer e proteção ambiental, além de questionar intervenções viárias previstas para o local.
Novembro de 2024 é aberta a consulta pública do Plano Municipal Hidroviário (PlanHidroSP). Nele consta uma grande área verde ( orla parque ) no mesmo local do parque jurubatuba.
Essa plano prevê como principais pontos:
Orla como eixo estruturador: a margem do Rio Pinheiros é tratada como infraestrutura ambiental e espaço público estratégico.
Parque linear contínuo: previsão de áreas verdes integradas, com fruição pública e reconexão da cidade com o rio.
Infraestrutura verde e clima: ampliação de áreas permeáveis, drenagem urbana e mitigação de ilhas de calor.
Coerência com o planejamento urbano: alinhamento com o Plano Diretor Estratégico de São Paulo e o PIU Arco Jurubatuba.
Entre maio e junho de 2025, durante o processo participativo promovido pela Prefeitura de São Paulo, o Parque Jurubatuba se destacou como uma das principais demandas da população. No ciclo do Plano de Metas, foi a 6ª proposta mais votada entre mais de 900 contribuições. Já no Orçamento Participativo da Lei Orçamentária Anual (LOA), foi a proposta mais votada na Subprefeitura da Capela do Socorro.
Na sequência, entre agosto e setembro de 2025, durante a elaboração dos Planos de Ação das Subprefeituras (PAS), a criação do Parque Jurubatuba voltou a liderar o processo participativo, sendo novamente a proposta mais votada na Capela do Socorro.
Esses resultados consolidam o parque como uma prioridade territorial reiterada pela população em diferentes instrumentos oficiais de planejamento e orçamento da cidade.
Maio de 2025, o Projeto de Lei PL 158/24 que cria o Parque Jurubatuba, foi aprovado em primeira votação na câmara municipal!
Apesar da grande conquista e paço importante, o projeto de Lei ainda deve passar em segunda votação e ser sancionado pelo prefeito para assim ser posteriormente regulamentado e implantado.
Em novembro de 2025, foi realizada uma audiência pública no território da Subprefeitura da Capela do Socorro, promovida pela Prefeitura de São Paulo, para debater o futuro da orla do Rio Pinheiros.
O Parque Jurubatuba esteve no centro das discussões, com ampla participação de moradores, coletivos e especialistas. O encontro reforçou a demanda pela criação do parque, evidenciando o interesse público, a mobilização social contínua e a consolidação do tema como prioridade territorial.
A audiência tornou-se mais um marco na trajetória do projeto, registrando oficialmente o apoio da população em espaço formal de deliberação pública.